LIVRO: UM PEREGRINO EM MINHA PRAIA

sábado, 23 de novembro de 2013

CURA DE UM HIDRÓPICO


                       

                                           (Lucas 14:1 a 6)

         Era sábado. Jesus entrara na casa de um dos principais dos fariseus para comer pão. Como sempre, Jesus estava na mira dos fariseus e dos doutores da lei. Entre as pessoas, um homem hidrópico, sofria de hidropisia. Essa doença caracteriza-se por acumulação anormal de líquido seroso nas cavidades do corpo ou nos tecidos, causando inchaço.

         Antes que fosse interpelado pelos seus acusadores, Jesus os interpelou: “É lícito curar no sábado?”. Eles, porém, se calaram. Jesus o tomou, curou-o e o despediu.  Acredito que se silenciaram para que Jesus seguisse em frente no seu intento, para ter mais um motivo, forte para eles, de  O condenarem. Jesus curou o homem por compaixão, mesmo sabendo que, por esse ato, o acusariam.  A vida humana, Jesus mostrou, é mais importante do que a sobrecarga que acrescentavam à lei de Moisés.  A lei   ordenava  que não trabalhassem no sábado, eles inventaram o resto. Preocupavam-se  tanto com os pormenores, que esqueciam o essencial: a lei do Amor!

         Jesus, conhecendo todos os pensamentos daquelas pessoas, disse: “Qual será de vós o que, caindo-lhe no poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo?”. Continuaram calados, sem ter o que dizer. Aquela gente era muito ligada aos bens materiais e Jesus conhecia o coração de cada um deles. Não salvariam o animal por compaixão, mas, por temer o prejuízo. Quanto mais não vale o ser humano?

         Essa doença, popularmente conhecida como barriga d’água, é muito triste, pois, causa uma má aparência, a água se concentra nos tecidos, sendo mais visível no ventre, projetando-o. A pessoa sofre de  dor abdominal difusa, perde o apetite, sente náuseas, tem dificuldade para respirar, principalmente quando se deita, por causa da pressão que o líquido exerce sobre o diafragma, segundo especialistas. como esse homem sofria!

         Entre a vida e a desgraça, Jesus escolhe a vida. Curar uma pessoa, libertando-a do mal é a prática do bem que deve prevalecer sobre as outras determinações, porque Jesus quer que todos tenham vida em abundância. Para a prática do bem, não existe momento ideal, nem hora, nem dia, mas sempre que encontramos algum necessitado.

         Para praticar a cura e beneficiar essa pessoa, de quem nem sabemos o nome, Jesus não esperou que ele pedisse, suplicasse com desespero, mas reconheceu o seu mal, sentiu suas necessidades e se dirigiu a ele para acabar com aquele flagelo. É assim que devemos agir, dirigirmos às pessoas carentes, talvez até de uma palavra animadora, com sinceridade e não economizar no carinho e na dedicação. O melhor dos exemplos, Jesus nos deu: amar sem limites!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OS MILAGRES QUE JESUS NÃO CONSEGUIU FAZER


           

        
        Quando eu morava numa cidade de interior de Minas, na década de setenta, antes de me mudar para a capital, era bastante conhecida onde vivi, por mais de dez anos. Trabalhei lá numa instituição pública, da qual sou aposentada, local em que me relacionei com alguns colegas, alguns menos, outros, mais, a verdade é que me dei a conhecer a todos.
Passado pouco mais de um ano, fui designada para fazer um trabalho de preparação para um concurso público naquela cidade, não por coincidência, porque havia outras cidades  a  escolher, mas o fiz de propósito, para rever os colegas. Quando cheguei à Rodoviária, vi na plataforma o motorista da Agência que olhava para dentro do ônibus, como que buscando por alguém. Gostei de vê-lo, cumprimentei-o, perguntando o que ele fazia ali, a quem esperava. Para minha surpresa, respondeu-me que fora buscar uma funcionária de Belo Horizonte, para encaminhá-la ao Hotel. 
Jamais imaginei que seria recepcionada dessa maneira naquela terra, com tamanha distinção.  Porém, a surpresa, ou desconserto dele foi maior, quando confirmei que essa pessoa era eu mesma, que não precisava esperar por mais ninguém. Mais tarde, na agência, soube que pensaram em várias pessoas com o mesmo nome, somente não pensaram que fosse eu.  
Tudo bem, passou. Mas, por que me lembrei desse fato? “Naquele tempo, dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: “De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres”?”. Mt 13:54-58.
Como aconteceu a Jesus, e comigo, as pessoas não estão preparadas muitas vezes para aceitar as mudanças, principalmente com relação a crescimento, sucesso, seja ele em que plano for. Como conhecem a origem e a procedência, isso parece diminuir as chances de aquela pessoa se projetar ou se sobressair. No meu caso, se chegasse ali uma pessoa estranha, fora do círculo do conhecimento das demais, seria julgada mais inteligente e mais capaz para receber uma incumbência de tamanha importância e responsabilidade. No plano espiritual, esse problema é ainda bem mais sério. 
“Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?“:
Se chegasse a Nazaré, um sacerdote de alta linhagem dos judeus, ricamente vestido, será que seria diferente? No caso de Jesus, sendo nazareno, filho de carpinteiro, com uma mãe chamada Maria como outras, cujos irmãos e irmãs viviam ali, poderia ter tanta sabedoria, dominar a Palavra de Deus, instruir, admoestar, e até curar? Quanta prepotência, pensaram, ninguém o viu estudar, frequentar escola! Quem é ele para que nele acreditemos? Mas era o mesmo que arrebanhava multidões nas cidades e vilas por onde passava, realizando todo tipo de milagre e muitos creram e cada vez mais aumentava a quantidade dos que criam.
“E ficaram escandalizados por causa dele, Jesus, porém disse: um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família. “E Jesus não fez ali muitos milagres, porque não tinham fé” Mt. 13:54-58. De acordo com Mc.6:5 e 6, Ele não pode fazer muitos milagres em Nazaré, curou poucos doentes, com imposição de mãos, admirado com tamanha falta de fé de seus conterrâneos. O poder de Deus não estava limitado ou fraco, nem era possível,  mas eles mesmos limitavam em si a possibilidade de receber graças, por descrerem.  Cada vez mais, Jesus abria portas de salvação para os gentios, que, ao contrário do Seu povo, cria nEle e, através dele, conheciam o Reino de Deus:  "Não há profeta sem honra, senão na sua terra e na sua casa" Mt 13:57;  no livro  de Marcos, é acrescentado: "entre os seus parentes" Mc 6:4.
É assim que Deus age, priorizando a fé, para que a pessoa perceba que remove montes, com certeza.  Um exemplo disso é que, todos os dias, Deus distribui bênçãos para todos, como o sol e a chuva, indistintamente, faz crescer a semente, produzir o grão, para bons e maus, mas, ninguém se dá conta da bondade do Pai em seu dia a dia. Se distribuísse milagres a torto e a direito, ninguém valorizaria e nenhum propósito de Deus se cumpriria.
Quando Elias declarou que não choveria em Israel durante três anos e meio, aconteceu e, faltando alimentos, Deus mandou que o profeta fosse à casa da viúva em Serepta de Sidom, mulher gentia, e lhe levasse o socorro, apenas a ela, embora houvesse muitas outras viúvas naquela região. Também Naamã foi curado da lepra, quando se colocou na brecha para ser contemplado com a cura. Havia muitos leprosos até mais carentes do que o oficial, mas Deus tem um propósito para cada pessoa no tempo certo e por um motivo específico.
Vamos orar e suplicar a Deus que aumente a nossa fé, para que  se agrade de nós e realize em nós e, através de nós, o Seu magnífico plano de amor. Louvado seja o Pai para todo o sempre!


RUTE E NOEMI




Elimeleque, homem judeu, era um mercador bem sucedido. Casado com Noemi tinha dois filhos varões, Malom e Quilion. Para fugir da fome que assolava Judá e da miséria vindoura, mudou-se com a família para Moabe.


Rute era uma princesa moabita, estava insatisfeita com a idolatria de seu povo, pois conhecia e amava o Deus verdadeiro, razão por que abriu mão de tudo, inclusive de seu título e foi morar entre o povo ao qual admirava e amava. Aproximando-se da família de Noemi, tornou-se sua amiga, até que seu filho pediu a Rute em casamento, o que muito a alegrou. O segundo filho de Noemi também se casara com uma mulher moabita, Orfa, ambas estrangeiras.

Passado um tempo, o esposo de Noemi morreu, bem como seus dois filhos, restando ela e suas noras. Sem hesitar, Noemi informou-lhes que voltaria para sua terra, Belém de Judá, porque soubera que a fome em Israel havia terminado. Disse que não poderia forçá-las a ir consigo, pois, voltando para a casa de seus pais, poderiam encontrar outro marido e refazer suas vidas. Choraram em altos brados, pois nenhuma delas queria a separação.

Orfa, ainda que muito triste, acatou a sugestão e apartou-se da sogra e seguiu seu caminho, voltando para seu povo e seus deuses. Rute, porém, chorou e implorou que a deixasse acompanhá-la, pois se apegara a ela e porque serviam ao mesmo Deus, ou seja, o Deus vivo e verdadeiro.

Noemi deixou sua terra para buscar vida e encontrou a morte para sua casa. Foi buscar dias melhores, mas se amargurou, se entristeceu, dizendo que não mais chamaria Noemi que significa amável, agradável, para se chamar Mara, amargura, amargurada. Estava revoltada inclusive com Deus, devido aqueles sofrimentos, julgando que Ele estava contra ela.

Enfim, as duas chegaram à Terra Prometida em tempos de colheita da cevada. Por estarem exaustas da longa viagem e com fome, Rute deixou Noemi descansando e partiu para o campo mais próximo, buscando alimento. Em Israel, era costume dos ceifeiros deixarem o cereal que fosse para o chão para os pobres e viúvas. Pela providência divina, o campo escolhido por Rute pertencia a Boaz, um parente de Elimeleque, falecido marido de Noemi.

Quando Boaz soube, através do feitor, que aquela moça era nora de Noemi, sendo ele parente de Elimeleque, recebeu-a com carinho e deixou que colhesse tudo de que precisasse, por ter sido generosa com a sogra, insistindo a que ficasse ali entre suas servas.

Rute voltou para casa carregada de cereais, razão por que Noemi, sua sogra, bendisse o nome daquele que a havia ajudado e, ao saber o seu nome, alegrou-se ainda mais, por ser seu parente próximo. Assim, Rute continuou na colheita do trigo e da cevada até que terminasse a sega.

No último dia, Noemi sugeriu a Rute que, quando Boaz se deitasse, ela descobrisse os pés daquele homem e deitasse ao seu lado e esperasse pelo que ele lhe dissesse. Ela assim procedeu e, quando ele deu pela presença de Rute, ela se fez reconhecer e pediu-lhe que a cobrisse com a capa. Ela informou-lhe que deveria ser o seu resgatador e, na manhã seguinte, sem tocar nela, encheu a capa de cereais e despediu-a.

O resgatador deveria ser um parente mais próximo, segundo o costume, que, comprando as terras que pertenciam à Noemi, deveria tomar a mão de Rute em casamento, mas o primeiro de direito não se interessou e transferiu o direito a Boaz, que comprou a terra e recebeu a mulher para si. Dessa união, nasceu Obede, que foi pai de Jessé e avô do salmista e rei, Davi. E da descendência de Davi, nasceu o salvador, Jesus. Quanta honra para quem se sentiu desprezada e perseguida por Deus!

Essa história era tão importante para a formação do povo bíblico que ela foi guardada e transmitida, oralmente, por vários séculos, até se tornar um documento escrito e incluído no livro sagrado de Israel.

Naquele tempo, como ainda hoje, o povo procurava cumprir as formalidades externas da lei, sem, contudo, relacioná-la à vida humana e suas carências básicas, a saber: o amor, a bondade, a compaixão... Foi nesse momento, que o povo crente fez uso da história de Rute, para mostrar às pessoas que o amor é mais importante que a letra da lei. A letra da lei é morta, se desassociada da obediência por amor. Seu cumprimento é necessário, pois nem um til passou dela, porém, não sejamos, apenas, legalistas.

Essa narração mostra também que Deus cuida de nós, dirige-nos em nossos caminhos, por isso, devemos entregar a nossa vida a Ele, sem dúvidas e sem reservas, pois Ele sabe o que é melhor para nós, e o tempo oportuno.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SEGUNDA MULTIPLICAÇÃO DE PÃES

  
          (Mateus 15.32-39; Marcos 8.1-9)

Os milagres continuavam se realizando e, quanto mais proibia a sua divulgação, muito mais pessoas chegavam aos pés de Jesus. Eram necessitados, tais como coxos, cegos, mudos, aleijados e outros que eram curados. Não era para menos, nunca haviam visto poder nenhum transformar aleijados em pessoas perfeitas, sem deficiência, por isso glorificavam o Deus de Israel.
Jesus é a própria misericórdia, pois, enquanto seus discípulos se mostravam despreocupados, embora na primeira multiplicação, eles é que procuraram a Jesus para cobrar uma atitude, Jesus se manifestou. Então, Ele os chamou e falou de compaixão, dizendo que há três dias aquela multidão estava ali, longe da cidade, muitos vinham de terras distantes e não podia despedir o povo com fome, pois poderia desfalecer pelo caminho. Claro que, alguém intimamente ligado ao Pai do céu, jamais esqueceria o cuidado com os semelhantes. Quem se diz amar a Deus deve ter uma vida de comprometido com o amor, para não se fazer de mentiroso.
Os discípulos, na sua incredulidade, novamente questionaram o Mestre, dizendo que não tinham como conseguir pães para saciar a fome de tanta gente! Incrível porque era essa a segunda vez que multiplicaria pães e peixes: Como poderiam questioná-Lo, se haviam presenciado essa mesma situação e conheciam o Seu poder de multiplicação? Mas Jesus ignorou esse detalhe, porque conhece a dureza de nosso coração que, depois de sermos agraciados com tantas bênçãos, ainda temos dúvidas se de novo virá ao nosso socorro em outras necessidades! Que seria de nós sem a misericórdia de Deus?
Jesus foi direto ao assunto: Quantos pães tendes? E eles lhe disseram: Sete e um pouco de peixinhos. Era o suficiente. Jesus mandou que se assentassem no chão. Tomou os pães, partiu-os e os abençoou; igualmente, tomou os peixes e, dando graças, os deu a seus discípulos que distribuíram para todos. Um exemplo maravilhoso de Jesus para todos nós, porque não comia sem ter dado graças aos céus. A gratidão é fundamental e tudo que temos, que chega a nossas mãos é permissão de Deus, ou melhor, é bondade de Pai para conosco.
Jesus poderia fazer chover peixes e pães, como aconteceu com o maná que caiu do céu, quando da peregrinação no deserto, quis multiplicar a partir de algo que existia, que traziam consigo, ou seja, pães e peixes reais. Conosco também, Ele cuida de multiplicar nossa fé, se o pedirmos; nossos dons, se os disponibilizamos, nossas esperanças, se cremos; nossa capacidade de amar, se despojamos de nosso egoísmo e vontade própria, e nos voltamos para o nosso próximo.

Todos comeram e se fartaram e ainda sobraram sete cestos cheios. Isso porque Jesus faz muito mais por nós do que carecemos, e aquelas pessoas, em número de quatro mil homens, mais mulheres e crianças puderam seguir saciados. É assim que Jesus faz: sacia-nos em nossas necessidades terrenas e, muito mais, nas espirituais, pois nos preenche o espírito e despede o vazio do nosso coração. Após esses acontecimentos, entrou no barco e seguiu para Magdala.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

CURA DE UM SURDO E GAGO


               
                         (Marcos 7.31-37)   

         Tendo curado a filha da mulher Cananeia, Jesus deixou Tiro e Sidom, indo para o mar da Galileia, em Decápolis, região habitada por gentios.  O lago de Tiberíades, ou de Genesaré, com cerca de treze km, de água doce, era chamado de mar, ficava na Galileia, e havia povoamentos a sua volta. Foi lá que, segundo os Evangelhos de Mateus e Marcos, Jesus arrebanhou quatro dos seus discípulos, ou seja, Pedro e seu irmão André e os irmãos e João e Tiago.
         Foi também nesse lugar que lhe trouxeram um surdo que falava com muita dificuldade, presume-se fosse gago, para quem o povo clamava pedindo a Jesus que impusesse as mãos sobre ele. Não era apenas esse que desejava uma cura, muitos gritavam, acenavam, tentavam chamar, se mostravam,  mas Jesus preferiu dar uma atenção especial e reservada a esse homem. Separou-o da multidão e a ele deu um atendimento particular. Ele poderia tê-lo assistido ali entre tantos que esbarravam e O comprimiam, mas preferiu separá-lo dos outros,  permitindo-lhe uma experiência pessoal consigo, o Cristo de Deus, porque é capaz de fazer mais do que pedimos, pensamos ou sonhamos.
Assim também hoje, há pessoas buscando por uma atenção diferenciada, um à parte que lhes conduza até Jesus e faça acontecer esse encontro.  Mas, a indiferença, a falta de tempo, o acúmulo de preocupações impedem que o papel de ministros e discipuladores de almas, seja realizado conforme deveria: “E, tirando-o à parte de entre a multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe a língua. E, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse Effata; isto é, abre-te. E logo se abriram seus ouvidos e a prisão da língua se desfez e falava perfeitamente.”.
Jesus o retirou do meio da multidão, do rebuliço e da gritaria daquele  povo, para mostrar que o prezava de forma especial e de maneira particularizada o iria curar. Jesus, na cura de um cego, certa feita, fez barro com a saliva e passou-lhe nos olhos. Havia uma crença entre o povo que o cuspe  poderia curar cegueira, mas Jesus fez diferente, tocou-lhe a língua e  ela destravou. Quando deixamos a cegueira da incredulidade pela ação do Espírito Santo, passamos a ver por outro foco, nossos ouvidos se abrem para a voz de Deus e nossa língua anseia por propagar o Nome e os feitos de Jesus.
Jesus poderia apenas dar um comando, mandar com uma palavra, mas sabia o que estava fazendo e por que. Quando levanta os olhos para o céu, demonstrou claramente de onde originava o Seu poder, do alto.  Assim se colocava como submisso ao Pai do céu, dando-nos o exemplo. Todos pediram que o curasse pela imposição de mãos, mas preferiu de outra maneira, por que para cada caso e pessoa Jesus imprimia a mesma misericórdia, porém, por diferentes métodos.
Aquele homem era um impossibilitado de se expressar com clareza, necessitava de outros para ouvir por ele e de interceder pelos seus desejos. Jesus tem preferência pelos que se abandonam em total dependência, como foi o caso do homem paralítico que precisou de outros para atravessar o telhado com sua cama; do outro aleijado que precisava mergulhar no tanque de Siloé e não havia quem o arremessasse nas águas, os que reconhecem que Deus é a saída para sua vida. Também o caso do centurião que rogou por seu servo, o pai que rogou pela filha moribunda e vários outros. Privilegiou essas situações para mostrar a necessidade e o valor de que alguns intercedam pelos outros, que é a demonstração de amor ao próximo, consequentemente, de amor a Deus: a intercessão tem valor dobrado, pois abençoa a todos.
O que se repetia em vários casos era o pedido de Jesus para que nada dissessem aos outros, não divulgassem o ocorrido, mas em vão: quanto mais proibia, mais divulgavam. Mesmo sabendo que iriam desobedecer, Jesus os advertia sobre isso, para alertá-los, talvez por questão de segurança e proteção, ou mesmo para se evitar conflitos com os opositores radicais, porque a quase maioria que buscava a Jesus era gentia e isso pesava negativamente contra o povo e contra a continuidade da obra de  Jesus.
“Admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.”

       Deus seja louvado hoje e para todo o sempre!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CURA DA FILHA DA MULHER CANANEIA





    
          
                         (Marcos 7.31-37)

         Tendo curado a filha da mulher Cananeia, Jesus deixou Tiro e Sidom, indo para o mar da Galileia, em Decápolis, região habitada por gentios.  O lago de Tiberíades, ou de Genesaré, com cerca de treze km, de água doce, era chamado de mar, ficava na Galileia, e havia povoamentos a sua volta. Foi lá que, segundo os Evangelhos de Mateus e Marcos, Jesus arrebanhou quatro dos seus discípulos, ou seja, Pedro e seu irmão André e os irmãos e João e Tiago.

         Foi também nesse lugar que lhe trouxeram um surdo que falava com muita dificuldade, presume-se fosse gago, para quem o povo clamava pedindo a Jesus que impusesse as mãos sobre ele. Não era apenas esse homem que desejava uma cura, muitos gritavam, acenavam, tentavam chamar a atenção, mas Jesus preferiu atender a esse homem. Separou-o da multidão e a ele deu uma assistência particular. Ele poderia ser atendido ali entre tantos que esbarravam nele, mas preferiu separá-lo dos demais, permitindo-lhe uma experiência pessoal consigo, o Cristo de Deus, porque é capaz de fazer mais do que pedimos, pensamos ou sonhamos.

Assim também hoje, há pessoas buscando por uma atenção diferenciada, um à parte que lhes conduza até Jesus e faça acontecer esse encontro.  Mas, a indiferença, a falta de tempo, o acúmulo de preocupações impedem que o papel de ministros e discipuladores de almas, seja realizado conforme deveria: “E, tirando-o à parte de entre a multidão, meteu-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe a língua. E, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse Effata; isto é, abre-te. E logo se abriram seus ouvidos e a prisão da língua se desfez e falava perfeitamente.”.

Jesus o retirou dali, do rebuliço e da gritaria do povo, para mostrar que o prezava de forma especial e de maneira particularizada o iria curar. Jesus, na cura de um cego, certa feita, fez barro com a saliva e passou-lhe nos olhos. Havia uma crença entre o povo que a saliva poderia curar cegueira, mas Jesus fez diferente, tocou-lhe a língua. E ela destravou. Quando deixamos a cegueira da incredulidade pela ação do Espírito Santo, passamos a ver por outro foco, nossos ouvidos se abrem para a voz de Deus e nossa língua anseia por propagar o Nome e os feitos de Jesus.

Jesus poderia apenas dar um comando, mandar com uma palavra, mas sabia o que estava fazendo e por que. Quando levanta os olhos para o céu, demonstrou claramente de onde originava o Seu poder, do alto.  Assim se posicionava submisso ao Pai do céu, como humano, dando-nos o exemplo. Todos pediram que o curasse pela imposição de mãos, mas preferiu de outra maneira, por que para cada caso e pessoa Jesus imprimia a mesma misericórdia, porém, por diferentes métodos.

Aquele homem era um impossibilitado de se expressar com clareza, necessitava de outros para ouvir por ele e de interceder pelos seus desejos. Jesus tem preferência pelos que se abandonam em total dependência, como foi o caso do homem paralítico que precisou de outros para atravessar o telhado com sua cama; do outro aleijado que precisava mergulhar no tanque de Siloé e não havia quem o arremessasse nas águas, os que reconhecem que Deus é a saída para sua vida. Também o caso do centurião que rogou por seu servo, o pai que clamou pela filha moribunda e vários outros. Privilegiou essas situações para mostrar a necessidade e o valor de que alguns intercedam pelos outros, que é a demonstração de amor ao próximo, consequentemente, de amor a Deus: a intercessão tem valor dobrado, pois abençoa a todos.

O que se repetia em vários casos era o pedido de Jesus para que nada dissessem aos outros, não divulgassem o ocorrido, mas em vão: quanto mais proibia, mais divulgavam. Mesmo sabendo que iriam desobedecer, Jesus os advertia sobre isso, para alertá-los, talvez por questão de segurança e proteção, ou mesmo para se evitar conflitos com os opositores radicais, porque a quase maioria que buscava a Jesus era gentia e isso pesava negativamente contra o povo e contra a continuidade da obra de  Jesus.

“Admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.”

       Deus seja louvado hoje e para todo o sempre!
     


sábado, 2 de novembro de 2013

CURA DA MULHER ENFERMA


                     
                 Mateus 9.20-22; Marcos 5.25-34; Lucas 8.43-48.
Uma mulher se aproximou e tocou a orla do vestido de Jesus. Era uma mulher sofredora, que há doze anos padecia de um fluxo de sangue que não lhe dava trégua. Uma hemorragia tão prolongada, numa época em que a medicina era bem atrasada, representava em sua vida uma completa falta de esperança. Quantos médicos visitados! Quanto dinheiro gasto em vão! Quanta desilusão! Fraca, desnutrida pela perda constante do sangue, complexada entre as pessoas, quase nada lhe restaria fazer. Vivia numa época em que à mulher não era dado o devido valor, muito menos no seu caso em que se sentia e se mostrava  ainda mais inferiorizada.
Mas ela creu e foi o bastante. Ouviu falar de Jesus e das maravilhas que operava e, assim, resolveu buscá-Lo. Pensava consigo que, se apenas tocasse na orla de sua roupa, bastaria. Vencendo todas as dificuldades e driblando sua própria fraqueza, lá se foi atrás daquele que traria de volta a sua vida. Quanto pensamento atribulado passava pela sua mente e quanta inquietude em seu coração até que viu a Jesus!
Quantos de nós, depois de padecermos, enfrentarmos lutas vãs, inclusive contra as culpas e os pecados, ouvindo falar de Jesus, O buscamos e O encontramos.  Assim nos libertamos de nossos males interiores, do peso do pecado que escraviza, da fraqueza espiritual que nos coloca fácil e constantemente nas mãos de Satanás que decide nos cirandar, com muito gosto e prontidão. Sozinhos, jamais nos libertaríamos, somos incapazes de encontrar dentro de nós mesmos algo assim, porque com o coração vazio de Jesus, pouco ou nada sobra de bom em nós.
Tocando em Jesus, o fluxo parou imediatamente e, neste mesmo instante sentiu que seu corpo estava liberto do mal. Jesus, ao sentir que de si saíra virtude, perguntou aos discípulos: “Quem me tocou?”.  Nenhum deles sabia, mas, Pedro e os seus companheiros questionaram sua indagação, pois a multidão O apertava e O oprimia. Jesus não perguntou por que não soubesse, mas porque esse fato deveria se perpetuar através dos tempos, na caminhada de Jesus, entre seus grandiosos feitos, para que chegasse até nós e nos transmitisse esperança.
A mulher não conseguiria ocultar-se. Estava a felicidade estampada no seu rosto e seu corpo falava por si mesmo. Impossível quem é agraciado com as virtudes de Jesus e tocado pelas bem-aventuranças divinas se manter quieto e calado. A luz se reflete nele e se esparge alcançando outros. Esse é o mistério e o ministério da fé que é desafiadora e viva e nos leva a transpor limites que desconhecemos, porque capacita o homem e o impele a agir com confiança em Deus e nas promessas eternas com que o  motiva!
Os discípulos estranharam aquela pergunta por que era muito grande a multidão que apertava o Mestre, quem sabe até empurrando-O de um lado para outro. Mas Jesus olhava para os lados para verificar sobre quem recaíra aquela grande bênção. Mas aquela mulher, em estado de graça, feliz, mas atemorizada; apaziguada, mas, tremendo de emoção, aproximou-se, prostrou-se diante dEle e contou toda a verdade. E Jesus lhe disse: “Tenha bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste mal.”.
Quando curados de algum mal, quando libertos de opressão ou de qualquer outro problema, devemos ter bom ânimo. Basta crer, para que a glória de Deus seja manifesta em nós e seremos instrumentos para ir e levar a outros a esperança. Par a ir e ensinar o Caminho da redenção aos demais que ainda não foram ou não se sentiram afortunados pelo misericordioso amor de Deus em sua vida. Louvado seja Deus!